Nadya Araújo Guimarães

Por Gustavo Takeschi Taniguti(USP )
e Murilo Marschner (USP)

A socióloga Nadya Araújo Guimarães nasceu em Salvador, Bahia, no dia 10 de abril de 1949. Após finalizar o curso ginasial, ingressou no Colégio de Aplicação, ligado à Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia. Seu interesse pela área de Humanidades a levou a cursar a graduação em História na Universidade de Brasília entre 1968 e 1971. No ambiente universitário, teve contato com importantes nomes das Ciências Sociais brasileiras, como Roque de Barros Laraia, Roberto Cardoso de Oliveira e Glaucio Ary Dillon Soares.

Em 1971, Nadya tornou-se docente do Departamento de Ciências Sociais da UnB, atividade que exercia junto ao curso de Mestrado em Sociologia, concluído em 1974 sob orientação de Barbara Freitag. Nesse mesmo ano, retornou à Bahia e ingressou no Departamento de Sociologia da Universidade Federal da Bahia, onde foi docente até 1996.

Nadya defendeu sua tese de doutoramento em 1983, pela Facultad de Ciencias Politicas e Sociales da Universidad Nacional Autónoma de México, sob orientação de Ruy Mauro Marini. Sua tese evidenciou a existência de formas de ação política organizada e contestatória de frações da chamada “reserva da força de trabalho”. O trabalho de campo foi realizado no Brasil, em Pernambuco, sob supervisão de Francisco de Oliveira. À época, o México abrigava importantes pensadores latino-americanos, exilados de seus países em decorrência da repressão política.

Entre fins dos anos 1970 e início dos anos 1980, Nadya integrou o Centro de Recursos Humanos (CRH), órgão de pesquisa ligado à Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. Também assumiu a direção do CRH em 1985 e a direção da revista Caderno CRH entre 1987 e 2001. Ao conduzir pesquisas sobre a indústria petroquímica baiana, Nadya investigou a transformação das feições e dos sentidos do trabalho nos anos 1970 e 1980, período marcado por mudanças significativas na estruturação do mercado de trabalho e nas relações profissionais. Seus estudos trouxeram grandes avanços teóricos, analíticos e empíricos para o conhecimento sociológico brasileiro, em particular no campo dos estudos sobre o trabalho.

Em 1993, interessada nos temas da reestruturação produtiva, seletividade e qualificação, realizou seu pós-doutoramento, o que incluiu atividades de pesquisa no Massachusetts Institute of Technology e no CEBRAP, onde foi convidada a estabelecer uma linha de pesquisa em “Estudos do Trabalho”. Em 1999, Nadya ingressou como docente no Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo ocupando a posição de Professora Titular, mantendo-se como Pesquisadora I-A do CNPq e pesquisadora associada ao Centro de Estudos da Metrópole. A contribuição de Nadya Araújo Guimarães à sociologia brasileira se evidencia por múltiplas formas, sempre acompanhadas pela ímpar dedicação à docência e à pesquisa. Seu profissionalismo e rigor científico, amplamente reconhecidos, foram decisivos para a formação de gerações de pesquisadores e pesquisadoras atuantes no Brasil e no exterior. Também ganharam expressão em sólidas e inovadoras interpretações a respeito das dinâmicas sociais decorrentes da troca entre capital e trabalho, posicionadas em favor de análises mais vigorosas das situações dos indivíduos em sua relação com o mercado. Entre os principais temas de pesquisa desenvolvidos por Nadya ao longo de sua carreira acadêmica, destacam-se: reestruturação produtiva, seletividade e qualificação, desigualdades raciais e de gênero no mercado de trabalho, desemprego, procura de trabalho, trânsito e trajetórias no mercado de trabalho.

Suas atividades acadêmicas também incluem períodos como professora visitante na universidade de Princeton, pelo programa em Latin American Studies (2007-2008), como professora visitante na Universidade de Illinois at Urbana-Champaign, como Distinguished Lemann Professor (2018) e como professora visitante na École des Hautes Études en Sciences Sociales (2019); e como pesquisadora associada ao Institute for Employment Research da University of Warwick, ao Institut de Recherche pour le Développement (1989-1991) e ao Centre of Latin American Studies da Universidade de Cambridge, Inglaterra (2016/2017). Tal circulação reafirma a importância do caráter internacionalizado de sua produção, também reconhecido nacionalmente com sua indicação a membro titular da Academia Brasileira de Ciências, em 2016.

Sugestões de obras da autora:

ARAUJO GUIMARÃES, N.; HIRATA, H. (Org.) . Care and Care Workers. A Latin American Perspective. 1. ed. Cham, Swuitzerland: Springer Nature Switzerland, 2021. v. 1. 246p .

DEMAZIERE, D.; GUIMARÃES, N. A.; HIRATA, H.; SUGITA, K. . Être Chômeur à Paris, São Paulo, Tokyo. Une méthode de comparaison internationale. 1a. ed. Paris: Presses de Sciences Po, 2013. v. 1. 320p.

GUIMARÃES, N. A. Desemprego, uma construção social. São Paulo, Paris, Tóquio. 1a. ed. Belo Horizonte: Editora Argvmentvn, 2009.

GUIMARÃES, N. A. À Procura de Trabalho. Instituições do Mercado e Redes. Belo Horizonte: Argvmentvn, 2009. 221p .

GUIMARÃES, N. A.. Caminhos Cruzados: Estratégias de Empresas e Trajetórias de Trabalhadores. 1. ed. São Paulo: Editora 34, 2004. v. 1000. 405p .

CASTRO, N. A. A Máquina e O Equilibrista – Inovações na Indústria Automobilística Brasileira. São Paulo: Paz e Terra, 1995. 430p .

AGIER, M.; GUIMARÃES, A. S.; CASTRO, N. A. Imagens e Identidades do Trabalho. 1. ed. São Paulo: Hucitec/Orstom, 1995. 186p.