CP27 – Sociologia do Trabalho

Coordenação

Ruy Braga (USP)
Marco Aurélio Santana (UFRJ)

Nas últimas décadas o mundo do trabalho e a configuração das classes sociais têm experimentado intensas transformações promovidas pelo processo de mundialização capitalista. A atual crise da globalização tem produzido uma intensa degradação da proteção trabalhista em todo o mundo por meio de reformas que limitam direitos conquistados há décadas, impondo a precarização como norma de vida e trabalho. No caso brasileiro, articulado à experiência internacional, a reestruturação produtiva das empresas, associada à difusão de novas tecnologias e à dominância da fração financeira do capital globalizado, modificou radicalmente a forma de ser do trabalho e da classe trabalhadora, assim como suas modalidades de representação sindical e organização política. As terceirizações e a multiplicação das formas até então atípicas de contratação da força de trabalho, hoje com amparo legal, redefiniram as principais características das ações coletivas de trabalhadores/as sinalizando para as limitações de um certo tipo de sindicalismo. Tendo por base esse conjunto articulado de transformações, o Comitê de Pesquisa Trabalho e Ações Coletivas (Sociologia do Trabalho) da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), sem perder a dimensão internacional, buscará apreender a nova forma de ser do trabalho e da classe trabalhadora brasileira, em toda a sua diversidade de setores e ocupações, por meio de cinco objetivos principais: 1. Promover a análise teórica e empírica do atual mundo do trabalho e das classes sociais. 2. Analisar a reconfiguração empresarial e os processos produtivos rumo à emergência hegemônica da empresa em rede com dominância financeira. 3. Estimular o estudo da nova condição proletária que emerge a partir dos novos processos de reestruturação produtiva e de contratualização da força de trabalho, marcados pelas variadas formas de precarização, presentes nas últimas três décadas, levando em consideração as dimensões de classe, raça, gênero e etnia. 4. Acolher as pesquisas dedicadas à problematização das respostas organizativas dos/as trabalhadores/as no intuito de fazer frente a estas mudanças ocorridas no mundo do trabalho brasileiro. 5. Analisar as reconfigurações da ação sindical e de coletivos de trabalhadoras/es à luz do atual ciclo de mercantilização do trabalho e limitação de direitos sociais, levando em conta os rebatimentos políticos e jurídicos desse ciclo, que tem tido forte impacto na vida social e nos processos democráticos.
Ementa Expandida:

Nas últimas décadas o mundo do trabalho e a configuração das classes sociais têm experimentado intensas transformações promovidas pelo processo de mundialização capitalista. A atual crise da globalização tem produzido uma intensa degradação da proteção trabalhista em todo o mundo por meio de reformas que limitam direitos conquistados há décadas, impondo a precarização como norma de vida e trabalho.

No caso brasileiro, articulado à experiência internacional, a reestruturação produtiva das empresas, associada à difusão de novas tecnologias e à dominância da fração financeira do capital globalizado, modificou radicalmente a forma de ser do trabalho e da classe trabalhadora, assim como suas modalidades de representação sindical e organização política. As terceirizações e a multiplicação das formas até então atípicas de contratação da força de trabalho, hoje com amparo legal, redefiniram as principais características das ações coletivas de trabalhadores/as sinalizando para as limitações de um certo tipo de sindicalismo.

Mais recentemente, seguindo o que seria a instalação de uma nova forma de racionalidade neoliberal, que tenderia a levar esse tipo de lógica a todas as esferas da vida social, temos a produção de um tipo de sujeito social o qual, extremamente individualizado, sob a pressão do desemprego em massa e do que seria o fim do emprego ao seu dispor, assumiria a responsabilidade de seu próprio provimento através do desenvolvimento de um saber-ser empreendedor. A sociedade contemporânea tem sido inundada por esse tipo de ideia, acolhida sob o guarda-chuva do que se passou a chamar e divulgar como empreendedorismo. Espalhou-se por todo o corpo social a ideia do Você SA como única saída.

Não exclusivamente, mas com lastro forte nessas ferramentas, esse ideário tem o apoio de diversos tipos de aplicativos/plataformas eletrônicos/as, daí a definição de trabalho plataformizado ou por plataforma. Os mais visíveis, entre tantos existentes, são aqueles utilizados pela UBER (daí o epíteto de Uberização do trabalho), em termos majoritariamente do transporte de pessoas, e pelo iFOOD, para a entrega de toda sorte de alimentação. As/os trabalhadoras/es nesses casos tem sido empurrados para um mundo do trabalho sem qualquer tipo de proteção, sem qualquer vínculo “empregatício”, no qual sequer sabem quem realmente é o seu empregador direto – já que as empresas proprietárias dos aplicativos argumentam que são apenas facilitadores, colocando pessoas e serviços em contato –, participando do processo seja com um carro, moto ou bicicleta de sua propriedade ou alugados, assumindo todos os riscos, com jornadas exaustivas de trabalho que voltam aos padrões fabris do século XIX – e que recolocam fortemente a questão do tempo de trabalho -, com, ainda, baixa densidade organizativa e mobilizatória.

Tendo por base esse conjunto articulado de transformações, o campo plural e diverso da Sociologia do Trabalho ao redor do globo tem se desdobrado, e isso tem sido verificado nas associações nacionais e internacionais, específicas desse campo ou não, no sentido tanto de debater os processos que estabeleceram uma nova realidade em termos de mundo do trabalho, mas também debater os operadores analíticos dos quais se lançava mão para dar conta dessas experiências.

Seguindo essa senda, o Comitê de Pesquisa Trabalho e Ações Coletivas (Sociologia do Trabalho) da Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), sem perder a dimensão internacional, buscará apreender a nova forma de ser do trabalho e da classe trabalhadora brasileira, em toda a sua diversidade de setores e ocupações, por meio de cinco objetivos principais: 1. Promover a análise teórica e empírica do atual mundo do trabalho e das classes sociais, em seus processos de mudança nas dinâmicas de construção e reconstrução das identidades sociais. 2. Analisar a reconfiguração empresarial e os processos produtivos rumo à emergência hegemônica da empresa em rede com dominância financeira. 3. Estimular o estudo da nova condição proletária que emerge a partir dos novos processos de reestruturação produtiva e de contratualização da força de trabalho, marcados pelas variadas formas de precarização, presentes nas últimas três décadas, levando em consideração as dimensões de classe, raça, gênero e etnia. 4. Acolher as pesquisas dedicadas à problematização das respostas organizativas dos/as trabalhadores/as no intuito de fazer frente a estas mudanças ocorridas no mundo do trabalho brasileiro. 5. Analisar as reconfigurações da ação sindical e de coletivos de trabalhadoras/es à luz do atual ciclo de mercantilização do trabalho e limitação de direitos sociais, levando em conta os rebatimentos políticos e jurídicos desse ciclo, que tem tido forte impacto na vida social e nos processos democráticos.

Apoiadores

Adalberto Cardoso (UERJ)
Alexandre Fraga (UFRJ)
Andreia Galvão (UNICAMP)
Angela Araújo (UNICAMP)
Angela Borges (UCSAL)
Barbara Castro (UNICAMP)
Elina Pessanha (UFRJ)
Giovanni Alves (UNESP)
Graça Druck (UFBA)
Iram Rodrigues (USP)
Jacob Lima (UFSCar)
José Dari Krein (UNICAMP)
Maria Aparecida Cruz Bridi (UFPR)
Mario Ladosky (UFCG)
Maurício Rombaldi (UFPB)
Paula Marcelino (USP)
Ricardo Antunes (UNICAMP)
Roberto Veras (UFPB)
Sadi Dal Rosso (UNB)
Sávio Cavalcante (UNICAMP)
Sidney Jard (UFABC)

Comitês de Pesquisa