CP11 – Sociologia das Gerações e das Famílias

Coordenação

Alda Britto da Motta (UFBA)
Isolda B. da Fonte (UFPE)
Vânia Gico (UFRN)

Propomos a realização de uma discussão da categoria geração, em sua perspectiva histórica e seus desenvolvimentos analíticos atuais, pela sua importância teórica no processo de reprodução social, e suas principais configurações: no âmbito político, na criação cultural e nas relações de família. Nestas, com a ênfase devida a um âmbito social no presente em acelerada mudança e ao mesmo tempo sendo objeto de reações no sentido de retrocesso. A abordagem das relações sociais, familiares e entre os movimentos sociais frente ao Estado, do ponto de vista das posições geracionais, significa uma análise articulada das trajetórias sociais no tempo existencial das pessoas e no tempo social, coletivo e histórico; portanto, quanto a tendências à mudança como a permanências. Na sociedade contemporânea destacam-se, nesse âmbito de análise,
quatro questões básicas:
a) A heterogeneidade das formações identitárias, tanto de ordem individual como grupal – identidades fluidas ou fragmentadas?
b) A complexidade e heterogeneidade das composições familiares – crise da família ou novos arranjos familiares-?
c) A dinâmica dos movimentos sociais, tanto em defesa das juventudes como das velhices d) As relações intergeracionais entre conflitos e permanências. A possibilidade de uma análise em torno de elos teóricos capazes de superar os vazios explicativos da dinâmica social sob a perspectiva geracional é a nossa proposta.

O objetivo central do Grupo é realizar um diálogo interdisciplinar que enfatiza a importância de uma discussão sempre atualizada da categoria geração em sua existência plural e nas relações que constituem a dinâmica da vida social. O cenário visível em todos os sentidos de nossa observação é de jovens e velhos unificados e separados tanto nas atuais manifestações sociais como no interior das famílias. Em convívio, conflitivos ou não, estão presentes as gerações encarnando o cotidiano coletivo e familiar. Estão lá, em suas lutas, buscas de alternativas de convivência e criação de novos mundos. A abordagem das relações sociais, familiares e entre os movimentos sociais frente ao Estado, do ponto de vista das posições geracionais, significa uma análise articulada das trajetórias sociais no tempo existencial das pessoas e no tempo social, coletivo e histórico; portanto, quanto a tendências a mudança como a permanências.

Na sociedade contemporânea destacam-se, nesse âmbito de análise, quatro questões básicas:
a) A heterogeneidade das formações identitárias, tanto de ordem individual como grupal – identidades fluidas ou fragmentadas?
b) A complexidade e heterogeneidade das composições familiares – crise da família ou novos arranjos familiares?
c) A dinâmica dos movimentos sociais, tanto em defesa das juventudes como das velhices, principalmente, no que se refere às suas diferenças e similitudes de demandas aos gestores públicos. São antagônicos? São complementares? O que une e separa estes dois polos geracionais em processo acelerado de (re)construções identitárias? A geração atual de pessoas velhas rebatendo os paradigmas tradicionais sobre a velhice e assumindo a luta pela cidadania, que vai desde o modelo do consumidor em potencial até as mais reivindicatórias formas de inclusão social. Ao mesmo tempo ainda sofrendo um processo residual de desamparo, porque a longevidade e os diferentes pertencimentos sociais construíram várias velhices, são, em tempos de pandemia, atropelados como “grupo de risco”, por falsas medidas sanitárias e de política econômica. Os jovens, em suas várias tribos, afastando-se e aproximandose em lutas coletivas mais amplas, seja em defesa de diferentes inserções sociais de sua geração, seja lutando por novos campos de exercício da cidadania. Todas estas situações emergentes, sempre transversalizadas pelas questões de gênero e de outras categorias inerentes às unidades geracionais (classe, etnia, diferenças de faixa etária dentro de seu grupo etário) permitem e exigem reflexões ainda feitas de forma pouco relacional na sociologia contemporânea. A possibilidade de uma análise em torno de elos teóricos capazes de superar os vazios explicativos da dinâmica social sob a perspectiva geracional
é a nossa proposta.

Propomos incorporar novas perspectivas à análise social com base nas posições geracionais, forçosamente, diante de novas questões que emergem das transformações mais recentes da sociedade brasileira. Apesar do desenvolvimento atual da pesquisa e das elaborações teóricas nesta temática, as transformações que vêm sendo observadas exigem análises que realizem a intersecção entre os diversos subtemas que acompanham as diferentes gerações e a diversidade e dinâmica das relações entre elas, com especial atenção às de família, em sua inescapável articulação entre condições de gênero e geracionais, além de construções identitárias outras, processos de extrema fluidez, tanto no que se refere aos grupos geracionais (quem são os atuais jovens? Quem são os atuais velhos?) como também as distintas vivências das identidades coletivas nesse contexto pós moderno de impermanências e desconstruções de valores e modelos tradicionais e modernos.

Urge a troca de experiências que se realizem nesta perspectiva, com discussões sobre:

a) As mudanças nas relações entre as gerações;
b) Os novos arranjos familiares e a presença de jovens e velhos em comum no ambiente doméstico;
c) Competição geracional no mercado de trabalho;
d) Grupos políticos geracionais, como movimentos de estudantes ou de aposentados e pensionistas (Quais as congruências de suas reivindicações? Quais os distanciamentos?);
e) Lazer, cultura, consumo, consumo cultural e seus diferenciais geracionais. Surge a terceira idade, como termo e categoria de análise para evidenciar os novos consumidores. Unem-se os jovens contra o consumo. Em que se fundem e se confundem?
f) Solidariedades e conflitos entre gerações. O que esperar nas relações entre estas diferentes gerações onde velhos se juvenilizam (até, muitas vezes, se deixam
infantilizar) e jovens que se acomodam nas casas dos pais, por desemprego, leniência ou novos rearranjos?
g) Também solidariedades e conflitos em tempos novos, onde vigem preceitos simultâneos de distanciamento social e cuidados obrigatórios!

Em resumo, propõe-se a análise das desigualdades no interior do eixo estruturante idade/geração/tempo social; sem esquecer as relações interseccionais com outras categorias identitárias como gênero, classe social e raça, além de uma desejável comparação internacional, com atenção aos movimentos pró mudança ou continuidade social.

Apoiadores

Alda Britto da Motta (UFBA)
Ana Maria de Oliveira Urpia (UFRB)
Darlane Silva Vieira Andrade (UFBA)
Isolda Belo da Fonte (UFPE)
Iracema Brandão Guimarães (UFBA)
Josimara Delgado (UFBA)
Kimi Tomizaki (USP)
Márcia dos Santos Macedo (UFBA)
Márcia Santana Tavares (UFBA)
Maria Rosângela de Souza (UFPI)
Sarah Roberta de Oliveira Carneiro (UFRB)
Vania de Vasconcelos Gico (UFRN)
Wivian Weller (UNB)

Comitês de Pesquisa