GT13: BRANDÃO,
ELIAS CANUTO (UNESP)
Avanços, limites e desafios da participação
popular no orçamento participativo
O presente trabalho discutirá os avanços, limites e desafios da
participação popular no Orçamento Participativo, considerando
que a democracia participativa, no processo democrático de participação
popular, nem sempre é, na totalidade, participativa. No trajeto, permeia
a representatividade, a democracia indireta e os interesses de grupos do Poder
Executivo, o que prejudica a participação popular, colocando em
dúvida a credibilidade política do projeto Orçamento Participativo.
Discutiremos também que a participação popular nas ações
do Poder Executivo contribui com o apoio social aos programas governamentais e
que sem a participação popular não há democracia,
menos ainda cidadania, desenvolvimento da consciência de cidadão,
consciência crítica e consciência política. O envolvimento
em um processo participativo, apesar de cansativo, exige dos participantes, maior
disponibilidade e tempo para reuniões, congressos e assembléias
populares, além da atenção e disposição política
em respeitar as decisões hierarquizadas nas reuniões populares e
institucionais com o objetivo de atender questões locais e de desenvolvimentos
econômico regional. É como diz Lévy, é fazer o hoje
olhando para o amanhã, com os olhos do mundo de ontem.
GT13: BERAS, CESAR ANDRÉ LUIZ
(UFRGS/PPGS)
Participação política, democracia e solidariedade:
uma análise das motivações política dos participantes
do Orçamento Participativo de Viamão - RS (2000 - 2002)
O presente trabalho tem por objetivo investigar as formas de participação
política, as redes de solidariedade e as motivações da participação
dos atores no Orçamento Participativo de Viamão RS. Trata-se de
uma pesquisa empírica que pretende verificar e analisar a eficácia
do Orçamento Participativo como mecanismo de democratização
do estado e de emancipação social. Os procedimentos metodológicos
adotados foram análise documental, entrevistas, questionários semi-estruturados
e análise de conteúdo. Os resultados obtidos apontam que as principais
motivações para participação são (a) a busca
por investimentos e obras para a comunidade, (b) a tentativa de ajudar o presidente
da vila e das comunidades, 1 (c) contribuição com a prefeitura.
Concluímos que o Orçamento Participativo de Viamão RS é
um instrumento democrático, de eficácia regular no encaminhamento
das reivindicações e na solução dos problemas discutidos,
permite a emergência de redes de solidariedade. É um espaço
de deliberação pública. A interdependência entre sociedade
civil e Estado (prefeitura) surge devido a ausência da sociedade fortemente
organizada.
GT13: NEVES, ANGELA VIEIRA (UNICAMP)
Um estudo de caso sobre o orçamento participativo em
São Gonçalo/Rio de Janeiro : a tensão entre a cultura clientelista
e a cultura democrática
Este trabalho buscou analisar a relação entre a cultura clientelista
e a cultura democrática na implementação do Orçamento
participativo e sua influência na gestão local. Realizamos um estudo
de caso sobre a implantação do orçamento participativo no
município de São Gonçalo, Região Metropolitana do
Rio de Janeiro, mostrando seus limites e possibilidades na construção
de uma gestão democrática. Constatou-se que a tensa relação
entre culturas políticas são também indicadores do sucesso
ou do fracasso dos OP espalhados no Brasil. Palavras Chaves: cultura política,
democracia, clientelismo, mandonismo local.
GT13: SILVA, MARCELO KUNRATH (UFRGS)
Tradições associativas e Democracia: uma análise
comparativa das experiências de Orçamento Participativo na região
metropolitana de Porto Alegre
Diversos enfoques de análise da questão democrática enfatizam
a relação positiva entre formas de organização societária
e processos democráticos. O objetivo deste trabalho é problematizar
esta perspectiva a partir da seguinte questão: quais formas de organização
e atuação dos atores sociais efetivamente contribuem para o fortalecimento
da democracia (e, mais especificamente, para o fortalecimento de processos democráticos
centrados na participação dos atores sociais na gestão pública)?
A partir da fundamentação empírica fornecida pela análise
comparativa de experiências de Orçamento Participativo em quatro
municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre, questiona-se
uma apreensão unificadora dos atores sociais, que deixa de perceber a sociedade
civil como um espaço de diversidade, de relações de poder
e de conflitos, no qual confrontam-se atores marcados por diferentes orientações
e mantendo diferentes relações com a democracia (e, no caso específico
deste estudo, com os processos participativos). Neste sentido, a mera densidade
associativa pode não ser, como transparece em algumas abordagens, um fundamento
seguro do processo de democratização, sendo preciso uma investigação
qualitativa deste tecido associativo, de suas representações e práticas
em relação à democracia.
GT13: PEREIRA, ADRIANA FREIRE (UFPB)
Possibilidades e limites da governança local no conselho
municipal do orçamento participativo (Conse) de Campina Grande-Pb
Palavras-chave: Participação Cidadã, Governança Local
e Orçamento Participativo. O objetivo deste trabalho é analisar
a atuação do CONSE como instrumento de governança local,
considerando o tipo de relação que é estabelecida entre os
diferentes sujeitos sociais envolvidos no processo do OP e a virtual reelaboração
de suas práticas de participação. Partimos do pressuposto
de que o CONSE se desenvolve mediante um círculo vicioso que historicamente
influencia as relações sociais no país. Com base nisso, questionamos
sobre a capacidade do CONSE de superação desse circulo por um circulo
virtuoso. Acreditamos que o controle social dos recursos públicos do município,
através da participação cidadã no processo de elaboração,
execução e fiscalização das políticas públicas,
corrobora o princípio fundamental da democracia participativa: os cidadãos
participam diretamente dos processos decisórios. Pressupõe-se por
um lado, que existam possibilidades de mudança no desenho institucional,
resultando na eficiência dos instrumentos de controle democráticos
e no aumento da eficácia no monitoramento de políticas públicas.
Por outro lado, o OP encontra limites, causados pela persistência do legado
cívico da sociedade brasileira e da herança de uma cultura política
autoritária e paternalista.
GT13: PASE, HEMERSON LUIZ E GEHLEN,
IVALDO (UFRGS)
Contrato social e orçamento participativo
As conquistas humanas alcançadas com o advento da modernidade são
muito significativas para a sociedade planetária. No entanto a sociedade
do princípio do terceiro milênio se encontra acuada por um conjunto
de problemas e até iminentes catástrofes, não obstante afetarem
a sociedade de forma desigual no interior dos países e regiões,
e no contexto global. Este artigo questiona as razões para a persistência
desta cisão entre pobres e ricos numa sociedade com tantas conquistas,
das quais uma das mais relevantes é a da cidadania. Esta (em tese) uma
grande aliada no encurtamento destas diferenças. Através de uma
análise de autores contemporâneos que discutem a questão da
democracia, da modernidade e da cidadania nossa aposta é que é preciso
estabelecer condições prévias ao próprio contrato
social e a democracia para que as parcelas excluídas da sociedade tenham
alguma chance. Nossa hipótese afirma que o orçamento participativo
é um formato de democracia participativa que possui condições
de se tornar uma estrutura comum de ação com prerrogativas que possibilitem
chances de vida adequadas as mais variadas situações sociais com
o objetivo do bem comum.
GT13: RAMOS, NERIZE LAURENTINO (UFPB)
Orçamento Participativo: uma experiência de co-gestão
cidadã
A solidez da cultura participativa existente na sociedade civil tem um papel decisivo
no grau de profundidade que pode alcançar um processo como as experiências
de democratização dos orçamentos públicos municipais.
A capacidade da população em ocupar os novos espaços institucionais
de co-gestão, com independência e qualidade, a pouca familiaridade
com processos complexos às vezes exigindo conhecimento técnico -
a tradição de lutas e a legitimidade das organizações
sociais, a articulação com outros processos participativos: conselhos
gestores de políticas municipais são desafios constitutivos da gestão
participativa. No entanto, é importante reconhecer que, nesse processo,
Estado e Sociedade se envolvem na construção de um novo modelo de
gestão, que redefine papéis e responsabilidades na construção,
não só, do orçamento público participativo e/ou do
planejamento com participação popular e cidadã, mas de uma
nova relação com o espaço público, com o poder local
tradicionalmente vinculado as práticas históricas de clientelas
e apadrinhamento.