Sociologia Digital: balanço provisório e desafios

Richard Miskolci, Fernando de Figueiredo Balieiro

Resumo


Este  artigo  apresenta uma  cronologia provisória da  formação da  Sociologia Digital  no  Brasil como  um campo de pesquisa em consolidação. Em uma  sociedade em que a conexão mediada em rede  se tornou parte  do cotidiano passando a reconfigurar as relações sociais, busca refletir sobre a importância de um campo de pesquisas com reflexão teórica e conceitual especializada. Inicia  apresentando um  balanço da área  nos  últimos anos,  depois aborda debilidades teóricas e metodológicas que  marcaram sua  formação recente assim  como  seus  avanços teóricos e me- todológicos. Por fim, discute algumas de suas  contribuições para  a sociologia brasileira, sua in- serção  internacional, assim  como uma  possível agenda de pesquisa para  seu desenvolvimento.

Referências


ADELMAN, Miriam et alli. (2015), Ruralidades atravessadas: jovens do meio campeiro e narrativas sobre o Eu e o(s) Outro(s) nas redes sociais. Cadernos Pagu,n. 44, pp. 141-170.

ALCÂNTARA, Lívia Moreira de. (2016), Ciberativismo e a Dimensão Comu- nicativa dos Movimentos Sociais: repertórios, organização e difusão. Política

& Sociedade,v. 15,n. 34, pp.315-338.

AMARAL, Adriana; MONTARDO, Sandra. (2011), Pesquisa em Cibercultura: análise da produção científica brasileira na Intercom. In: XXXIV CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 2011, Recife. Anais do Con- gresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. São Paulo: Intercom, v. 1.pp.1-15

ANDERSON, Benedict. (1991), Comunidades Imaginadas. 1. ed. Lisboa: Ed- ições 70.

ATIQUE, Adrian. (2013), Digital Media and Society: an introduction. 1. ed. Cambridge: Polity Press.

BAYM, Nancy K. (2010), Personal connections in the digital age. 1. ed. Cam- bridge: Polity Press.

BELELI, Iara. (2015), O imperativo das imagens: construção de afinidades nas mídias digitais. Cadernos Pagu (UNICAMP), n. 44, pp. 91-114.

BELELI, Iara. (2016), Novos cenários: entre o “estupro coletivo” e a “farsa do estupro” na sociedade em rede. Cadernos Pagu (UNICAMP), v. 47, online.

BRAGATTO, Rachel Callai; NICOLÁS, Maria Alejandra; SAMPAIO, Rafael Cardoso. (2012), Internet e política em análise: levantamento sobre o perfil dos estudos brasileiros apresentados entre 2000 e 2011. In: XXXVI ENCON- TRO ANUAL DA ANPOCS, 2012, Caxambu-MG. Anais... Online.

BURROWS, Roger; BEER, David. (2013), Rethinking space: urban informat- ics and the sociological imagination In: ORTON-JOHSON, Kate; PRIOR, Nick. Digital Sociology: critical perspectives. London: Palgrave Macmillan. E-book.

CALLON, Michel. (1987), Society in the making: the study of technology as a tool for social analysis. In: NIJKER, W.; HUGHES, T.; PINCH, T. The social construction of technological systems: new directions in the sociology and history of technology. London: MIT Press. pp.

CARNEIRO, Ana Maria; DWYER, Tom. (2012), A pesquisa da sociabilidade online: três gerações de estudos. Revista USP, v. 92, p. 100-113.

CASTAÑEDA, Marcelo. (2014), Ação coletiva com a internet: reflexões a par- tir da Avaaz. Tese de Doutorado. Rio de Janeiro: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro-Instituto de Ciências Humanas e Sociais.

CASTELLS, Manuel. (2011), A sociedade em rede. 6. ed. São Paulo: Paz & Terra.

CASTELLS, Manuel. (2015), O poder da comunicação. 1. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Paz e Terra.

CASTELLS, Manuel. (2013), Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar.

DANIELS, Jessie; GREGORY, Karen; COTTOM, Tressie McMillan (ed.). (2017), Digital Sociologies. Bristol: Policy Press.

DIJK, Jan A. G. M. van. (2013), Inequalities in the network society. In: OR- TON-JOHSON, Kate; PRIOR, Nick. Digital Sociology: critical perspectives. London: Palgrave Macmillan. E-book.

DWYER, Tom. (1989), Um Salto No Escuro: Um Ensaio Interpretativo Sobre As Mudanças Técnicas. Revista de Administração de Empresas, v. 29, n. 4, pp. 29-44.

DWYER, Tom. (2004), As tecnologias de informação: morte ou vida para as

Ciências Humanas. Sociologias (UFRGS), v. 6, n. 12, pp. 328-346.

DWYER, Tom. (2001), Inteligência Artificial. Tecnologias Informacionais e seus impactos sobre as Ciências Sociais. Sociologias (UFRGS), n. 5, pp. 58-79.

DWYER, Tom. (2015), Lifestyles, Media Use, Horizons and International Student Mobility: A Survey of Chinese and Brazilian University Students. Sociologies in Dialogue, v. 1, pp. 32-48.

FERREDAY, Debra. (2013), Afterword: digital relationships and feminist hope In: ORTON-JOHSON, Kate; PRIOR, Nick. Digital Sociology: critical perspectives. London: Palgrave Macmillan. E-book.

GAJANIGO, Paulo Rodrigues; SOUZA, Rogério Ferreira. (2014), Manifesta- ções sociais e novas mídias: a construção de uma cultura contra-hegemônica Caderno CRH, v. 27, n. 72, pp. 577-592.

GOMES, Laura Graziela; LEITÃO, Débora Krischke. (2013), Estar e não estar lá, eis a questão: pesquisa etnográfica no Second Life. Cronos (Natal / Im- presso), v. 12, pp. 23-38.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). (2014), Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio – Acesso à Internet e à Te- levisão e Posse de Telefone Móvel Celular para Uso Pessoal. Disponível em: http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv95753.pdf.

JENKINS, Henry. (2009), Cultura da convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph. LATOUR, Bruno (2005), Reassembling the Social - An Introduction to Actor-Network-Theory. ed. New York: Oxford University Press.

LÉVY, Pierre. (1999), Cibercultura. 1. ed. São Paulo: Ed. 34.

LUPTON, Deborah. (2015), Digital Sociology. 1. ed. London/New York: Rout- ledge.

MACHADO, Jorge Alberto S. (2007), Ativismo em rede e conexões identitá- rias: novas perspectivas para os movimentos sociais. Sociologias, n. 18, pp.

-285.

MCQUIRE, Scott. (2015), O direito à cidade em rede: redes digitais e espaço público urbano In: PELÚCIO, Larissa; PAIT, Heloisa; SABATINE, Thiago. No emaranhado da rede: gênero, sexualidade e mídia – desafios teóricos e meto- dológicos do presente. São Paulo: Annablume/FAPESP. pp. 201-224.

MISKOLCI, Richard. (2017), Desejos digitais: uma análise sociológica da busca por parceiros online. 1. ed. Belo Horizonte: Autêntica.

MISKOLCI, Richard. (2016), Sociologia digital: notas sobre pesquisa na era da conectividade. Contemporânea - Revista de Sociologia da UFSCar, v. 6, pp. 275-297.

MISKOLCI, Richard; CORTÊS, Soraya; SCALON, Celi; SALATA, André. (2016), Sociologies in Dialogue. Sociologies in Dialogue, v. 1, n. 2, pp. 1-15.

MOWLABOCUS, Sharif. (2010), Gaydar culture: gay men, technology and embodiment in the digital age. ed. Farnham: Ashgate.

NASCIMENTO, Leonardo. (2016), A Sociologia Digital: um desafio para o século XXI. Sociologias (UFRGS), v. 18, pp. 216-241.

ORTON-JOHSON, Kate; PRIOR, Nick. (2013), Digital Sociology: critical per- spectives.1. ed. London: Palgrave Macmillan.

PATTON, Natalie. (2015), School shooting: la violence a l’ére de You Tube. 1. ed. Paris: Éditions de la Maison des Sciences de l’homme.

PELÚCIO, Larissa. (2015), Narrativas infiéis: notas metodológicas e afetivas sobre experiências das masculinidades em um site de encontros para pes- soas casadas. Cadernos Pagu (UNICAMP), n. 44, pp. 31-60.

RIESMAN, David. (1967), The Lonely Crowd: a study of changing American character. 1. ed. New Haven/London: Yale University Press.

ROCHA, Ana Luiza Carvalho da; ECKERT, Cornelia. (2004), Dossiê Antropo- logi@Web. Horizontes Antropológicos, v. 10, n. 21, pp. 15-319.

SANTOS, Francisco Coelho dos; CYPRIANO, Cristina Petersen. (2014), Re- des sociais, redes de sociabilidade. Revista Brasileira de Ciências Sociais (Impresso), v. 29, pp. 63-78.

SASSEN, Saskia. (2017), Preface. In: DANIELS, Jessie; GREGORY, Karen; COT- TOM, Tressie McMillan (ed.). Digital Sociologies. Bristol: Policy Press. E-book.

SCHAEFFER, Felicity Amaya. (2013), Love and Empire. 1. ed. New York: New York University Press.

SIBILIA, Paula. (2008), O show do eu: a intimidade como espetáculo. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. (2014), Para analisar o poder tecnológico como poder político. In: SILVEIRA, Sérgio Amadeu da; BRAGA, Sérgio; PENTEA- DO, Cláudio. (org.). Cultura, política e ativismo nas redes digitais, v. 1. 1. ed. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo. pp. 15-29.

TAVARES DOS SANTOS, José-Vicente. (2001), As possibilidades das Meto- dologias Informacionais nas práticas sociológicas: por um novo padrão de trabalho para os sociólogos do Século XXI. Porto Alegre, s/v., pp. 114-146.

THRIFT, Nigel. (2004), Remembering the technological unconscious by fo- regrounding the knowledges of position. Environment & Planning D: Society and Space, v. 22, n. 1, pp. 175-190.

TURKLE, Sherry. (2011), Alone together: why we expect more from technology and less from each other.1. ed. New York: Basic Books.

TURKLE, Sherry. (1995), Life on screen: identity in the age of the internet. ed. New York: Simon & Schuster.

VAN DIJCK, José. (2016), La Cultura de la Conectividad: una história crítica de las redes sociales.1. ed. Buenos Aries: Siglo Veintiuno.

WILLIAMS, Raymond. (2016), Televisão: tecnologia e forma cultural. 1. ed. São Paulo/Belo Horizonte: Editora PUC-Minas/Boitempo.

WITTE, James C. (2012), A ciência social digitalizada: avanços, oportunida- des e desafios. Sociologias, n. 31, pp. 52-92.


Texto completo: PDF

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Licença Creative Commons
Este trabalho está licenciado sob uma Licença Creative Commons Attribution 3.0 .

ISSN Impresso: 2317-8507

ISSN Eletrônico: 2318-0544

 

Indexado por:

Hispanic American Periodicals Index