A outra face da desigualdade: a articulação das elites no campo da filantropia e investimento social privado

Patricia Kunrath Silva

Resumo


O que está em jogo para as elites econômicas e políticas transnacionais quando se fala em filantropia e investimento social privado? Como esses atores desenvolvem suas práticas e discursos filantrópicos? Como se inserem em uma rede transnacional de elites filantrópicas? Essas são algumas das questões deste estudo, realizado por meio de observação participante em eventos e entrevistas em profundidade com filantropos, investidores sociais e experts na área. Foi possível analisar indivíduos e organizações que buscam desenvolver no Brasil o que norte-americanos têm chamado de filantrocapitalismo ou filantropia centrada na lógica de mercado, por um lado, e a filantropia progressista ou de justiça social, por outro. No cenário nacional, recorrendo à formação histórica do Estado patrimonial e a centralidade do financiamento público, proponho o termo filantroestatismo. Por meio destas estratégias, a elite desenvolve práticas de governança e projetos que impactam os setores mais pobres da população, mas que ainda pouco ou nada fazem pela redução da concentração de renda e desigualdade social no país.


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DOI: 10.20336/rbs.153


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