12/01/2021

DISCURSO DE AGRADECIMENTO DO PROF. CARLOS BENEDITO MARTINS PELO RECEBIMENTO DO PRêMIO ANPOCS ANTôNIO FLáVIO PIERUCCI DE MéRITO ACADêMICO

 
Prezados(as) Integrantes da Diretoria da Anpocs, caros colegas presentes nesta solenidade.
 
Inicialmente gostaria de agradecer à Diretoria da Anpocs, com muita emoção, a atribuição de tão honrosa distinção. Não poderia deixar de registrar o trabalho realizado pela Diretoria da Anpocs e de seus diversos Comitês na organização deste Encontro, que sem dúvida apresentou desafios inéditos, enfrentados com espírito de determinação e com notável competência profissional. Gostaria também de agradecer ao professor Sérgio Miceli por suas generosas palavras. 
 
Receber esta premiação da Anpocs, que leva o nome de Flávio Pieruci, representa um motivo a mais para minha alegria e emoção. Fomos colegas no mestrado na PUC de São Paulo e também atuamos como docentes no Departamento de Sociologia da mesma instituição durante vários anos. Quando Flávio tornou-se secretário executivo da Anpocs, me convidou para ser um dos Diretores desta importante Associação Científica. Tive a oportunidade, junto com outros colegas da então Diretoria, de desenvolver um trabalho institucional, conduzido com a eficácia e a alegria contagiante que Flávio imprimia às suas atividades. Durante quatro décadas, desenvolvi uma sólida amizade e uma frequente interlocução acadêmica com Flávio, cuja lembrança guardo com muita estima na minha memória.
 
Em um dos capítulos do notável livro Os Ensaios, escrito por Montaigne, em 1580, denominado Da Incoerência de nossas ações, ele pondera a respeito da força que as circunstâncias exercem em nossas vidas. Para ele, de certa forma, somos produtos das contingências. Em sua percepção, ninguém determina do princípio ao fim o caminho que pretende seguir na vida, pois só decidimos por trechos, na medida em que vamos avançando. Esta breve reflexão de Montaigne visava apontar a força que as circunstâncias exercem nas ações dos homens. No entanto, Montaigne ressaltava que as circunstâncias nunca jamais são favoráveis a quem não tem um porto de chegada previsto. 
 
Esta consideração de Montaigne me conduziu a ponderar, de forma sucinta, que ao longo de minha trajetória acadêmica, pouco a pouco, fui construindo um projeto intelectual que contou com um conjunto de circunstâncias favoráveis que me levou a concentrar meus trabalhos sobre as relações entre universidade e sociedade. Esse projeto adquiriu seus primeiros traços durante minha intensa participação no movimento estudantil e na luta pela reforma universitária no emblemático o ano de 1968.
 
Desde os tempos de graduação, uma observação realizada por Max Weber no seu ensaio A Ciência como Vocação me impactou profundamente. Considerava que somente pela especialização rigorosa pode o cientista realizar alguma coisa duradoura. Em sua visão, apenas por meio desta dedicação íntima ao seu campo de especialização, o cientista social poderá vivenciar as sensações descritas por Weber como o sentimento de frenesi, de êxtase intelectual e o ardor de uma estranha embriaguez que emana do empenho apaixonado do pesquisador ao seu objeto de investigação. 
 
A profícua interlocução intelectual e a convivência que tive durante meus anos de formação acadêmica e de docência na PUC de São Paulo com Octavio Ianni, Maurício Tratenberg – que escreveu o prefácio da primeira edição da publicação de minha dissertação, Ensino Pago: um retrato sem retoques – e Florestan Fernandes – que redigiu o prefácio da segunda edição desse livro – representaram uma etapa crucial nesse percurso. Da mesma forma, a rica interação intelectual com Maria Andrea Loyola – que acabara de defender seu doutorado na França e assumiu a orientação do meu trabalho – foi decisiva na minha trajetória acadêmica. Por meio de uma intensa troca de ideias marcada por sua generosidade e por laços de amizades tecidos ao longo do tempo, ela me permitiu articular minhas preocupações empíricas a respeito de universidade e sociedade com a teoria sociológica contemporânea. Maria Andrea me instigou a pensar sociologicamente sem a priori e sem preconceitos teóricos, ou seja, a atitude de refletir com liberdade de pensamento e o imenso prazer que advém desta prática intelectual, cujo comportamento procurei preservar na minha trajetória acadêmica.      
 
Outra circunstância decisiva para levar adiante meu projeto intelectual ocorreu ao longo da realização de meu doutorado em Paris, com Bolsa da Capes. Por meio da intermediação de Maria Andrea Loyola, tive a oportunidade de ter acesso ao então Centre de Sociologie Europènne, dirigido naquela época por Pierre Bourdieu. Dessa forma, estabeleci contato cotidiano e diálogo com diversos pesquisadores que o integravam, seja pela participação em seus seminários, seja por meio de encontros pessoais, como Monique de Saint Martin, Louis Pinto, Francine Muel-Dreyfus, François Bonvin, Victor Karady. Tive a chance de participar de um seminário oferecido por Yves Wikin sobre Erving Goffman, quando estava escrevendo seu livro sobre este autor, denominado Le moments et leurs hommes, que se tornou, desde sua publicação, um texto clássico sobre a obra de Goffman. Seu seminário despertou minha disposição de aprofundar leituras a respeito da obra de Goffman, cujo propósito tenho procurado me dedicar, ao lado de outros encargos acadêmicos. Durante meu doutorado, observei de perto o intenso clima de pesquisa no Centre de Sociologie Europènne, que funcionava a pleno vapor, conhecendo seus temas e procedimentos de investigação. Por um período de cinco anos, frequentei os semináires fermés, de Pierre Bourdieu, ou seja, os seminários fechados, destinados apenas a quinze participantes, que eram selecionados por ele em função do projeto de pesquisa. Suas reflexões sobre o processo do trabalho sociológico, que pressupõem a necessidade de realizar uma constante sociologia reflexiva sobre as investigações desenvolvidas pelo pesquisador, esboçada em Le Métier du Sociologue, seu pensamento sobre o campo universitário francês, contemplado no trabalho Homo Academicus e posteriormente em La Noblesse d’État, assim como vários de seus artigos publicados no Actes de la Recherche en sciences sociales constituíram uma referência importante para minhas investigações posteriores. 
 
Esse conjunto de circunstâncias tem marcado a produção de meus trabalhos nas últimas três décadas, direcionados para investigar diversas dimensões das relações entre ensino superior e sociedade no Brasil. Nesta direção, a formação de um complexo campo do ensino superior no país pós-64 constituiu objeto de investigação que perpassa vários trabalhos que realizei em distintos momentos. A exploração deste objeto me levou a analisar a inserção das instituições públicas e privadas no interior deste complexo campo, as diferenças acadêmicas existentes entre os segmentos público e privado, assim como a heterogeneidade presente no interior dos subcampos do ensino superior público e privado. Em vários desses trabalhos, ressaltei importância social e política das universidades públicas do país no processo de construção de uma sociedade democrática e de sua centralidade no combate às diversas formas de desigualdades sociais.
 
Também explorei a formação do sistema nacional de pós-graduação em vários trabalhos. Abordei as condições históricas que permitiram a emergência da pós-graduação, a participação da comunidade acadêmica nacional nesse processo e o efeito modernizador da pós-graduação nas universidades brasileiras, uma vez que institucionalizou a prática da pesquisa e a participação diferencial das instituições públicas e privadas na oferta desses programas.  Ao mesmo tempo, enfoquei a relação entre pós-graduação e mercado de trabalho em diversas áreas do conhecimento, a partir da constituição de uma equipe de sociólogos de diversas regiões do país. Abordei também a inserção da sociologia no contexto da pós-graduação nacional, bem como a posição da temática do ensino superior no contexto da sociologia brasileira em distintos períodos históricos, visando destacar os temas privilegiados pelos pesquisadores. No período mais recente, passei a investigar a formação de um sistema transnacional de ensino superior, que se tornou mais visível à partir dos anos 1980, impulsionado pelo processo de globalização. Nos trabalhos que tenho realizado, envolvo pensadores clássicos e contemporâneos da sociologia. O fato de ter concentrado minhas atividades de ensino na área de teorias sociológicas contemporâneas tem me permitido relacionar meus trabalhos empíricos com uma reflexão teórica de autores mais recentes.
 
Considero que, de certa forma, homens e mulheres dedicados à atividade de pesquisa movimentam-se no campo acadêmico de maneira não muito diferente, tal como ocorre com determinados personagens nos romances de Paul Auster – particularmente em Leviathan e The Music of Chance –, nos quais a realidade do cotidiano, uma vez exposta à súbita intervenção do acaso, pode desmoronar a construção de projetos existenciais ou, ao contrário, contribuir favoravelmente para impulsionar sua realização. Uma série de circunstâncias e de eventos nos últimos 30 anos, ao lado de meus trabalhos de pesquisa, me levaram a envolver-me de corpo e alma no processo de consolidação do sistema nacional de pós-graduação e também na dinâmica da institucionalização do campo da sociologia realizada no país. Pertenço a uma geração que procurou levar adiante o trabalho de um grupo pioneiro de cientistas de diversas áreas de conhecimento que lutaram com ardor ao longo de décadas para a implantação do sistema nacional de pós-graduação e de colegas das ciências sociais que se dedicaram com perseverança para instituir programas de mestrado e de doutorado em nossas áreas de atuação, aos quais rendo minha homenagem neste momento. 
 
Durante mais de dez anos integrei a área de sociologia da Capes. Mesmo depois de ter deixado este Comitê, continuei colaborando na condição de consultor ad hoc. Nesse contexto, participei, por meio de visitas in loco, da criação de mais de uma dezena de programas de mestrado e doutorado em sociologia, contribuindo para a implantação de pós-graduação na área em diversas partes do território nacional. Este processo de expansão dos programas de pós-graduação em sociologia – que os posteriores Comitês desta área na Capes levaram adiante – permitiu a sua presença em todo o território nacional e a incorporação de uma nova geração de sociólogos altamente qualificados, em sua maioria em centros de ensino e pesquisa no país e no exterior, que em geral estão inseridos em redes internacionais de pesquisa. Por outro lado, a expansão impulsionou uma descentralização geográfica dos centros de formação pós-graduada em sociologia e também uma crescente mobilidade espacial da circulação dos titulados em nível de doutorado, o que, tudo indica, terá um conjunto de impactos na reconfiguração do campo da sociologia no país.  
 
Após ter deixado o Comitê de Sociologia, passei a integrar a Assessoria da Presidência da Capes por longos anos, sem me afastar de minhas atividades acadêmicas na UnB. Nesta situação, tive a oportunidade de adquirir uma visão mais ampla a respeito das diversas áreas de conhecimento que integram a pós-graduação nacional e de interagir com vários de seus pesquisadores. Participei da elaboração de dois Planos Nacionais de Pós-Graduação, sendo que assumi a posição de secretário-executivo no PNPG de 2005-2010. Procurei articular esta rica experiência profissional com meus trabalhos acadêmicos, uma vez que ela me fornecia um significativo volume de informações e temas de pesquisas, tal como ocorreu com a investigação de que participei, coordenada pelo professor Jacques Velloso, da UnB, sobre a formação de mestres e doutores e mercado de trabalho, que contou com a colaboração vários colegas da sociologia de diferentes partes do país. 
 
Ao mesmo tempo, atuei de forma contínua por mais de trinta anos nos Encontros da Anpocs como um dos seus Diretores, integrando vários Comitês, coordenando GT, organizando simpósios etc. A Anpocs representa para mim, assim como para diversas gerações de cientistas sociais, um espaço fundamental de constante aprendizado intelectual, de intercâmbio de ideias e de conhecimentos. Desde a refundação da SBS no Congresso realizado em Brasília em 1987, tenho procurado contribuir ativamente na sua consolidação institucional, participando de sua trajetória, seja como diretor, coordenador de GT, vice-presidente e enquanto presidente, por dois mandatos, de 2015 a 2019. Desde sua recriação, as sucessivas Diretorias da SBS têm pautado seus trabalhos por um projeto institucional, visando imprimir padrões de excelência nas atividades de ensino e pesquisa e procurando inserir a sociologia na discussão de temas candentes no espaço público do país. A atual gestão, presidida pelo professor Jacob Carlos Lima, vem dando continuidade a este empreendimento institucional de forma dinâmica e competente.
 
Nas últimas décadas, formou-se uma vigorosa comunidade nacional e global de sociologia, antropologia, ciência política e outras ciências humanas que tem favorecido uma intensa comunicação acadêmica entre pesquisadores situados em diferentes países. Em função da relevância intelectual e social que a sociologia ocupa no mundo, Anthony Giddens, em seu livro Em Defesa da Sociologia, ressaltou que ela se tornou um ator fundamental na dinâmica cultural das sociedades contemporâneas.
 
A despeito da institucionalização da sociologia no país, a partir da década de 1930, o acervo significativo de trabalhos realizados investigou os impasses persistentes da nossa experiência coletiva, como desigualdades, relações raciais, crise do mundo rural, processo de urbanização e industrialização, formação da classe trabalhadora, dos setores médios, dos grupos dirigentes, ou seja, um conjunto de tópicos candentes na agenda de um país agoniado. Quando a pesquisa sociológica caminhava para um processo de afirmação institucional, a ditadura militar de 1964 aplicou-lhe um duro golpe na medida em que violentou a autonomia universitária por meio da aposentadoria compulsória e do exílio de expoentes da inteligência brasileira e da imposição de reitores em sintonia com o arbítrio. No entanto, naquele período, foi preservado o oxigênio financeiro das universidades públicas. Apesar de uma série de medidas repressivas, nada disso conseguiu sustar o fortalecimento institucional das ciências sociais no país. A expansão do ensino superior, o desenvolvimento do sistema de pós-graduação, a criação de agências públicas de financiamento à pesquisa e outros fatores moldaram a formação das novas gerações de sociólogos. A sociologia não só resistiu aos anos de chumbo como saiu mais forte institucionalmente após o exaurimento da ditadura.  
Nas últimas décadas, no seu processo de contínua renovação no país, a sociologia tem analisado temas relevantes da sociedade brasileira, tais como violência urbana e no campo, novas formas de desigualdades sociais, raciais e de gênero, desastres ambientais, democracia e direitos humanos, diversidade social, religião e política, campo cultural, questões de ensino, universidade, ciência e tecnologia, inserção do Brasil no processo de globalização etc. Seus resultados propiciaram a construção de uma visão crítica da sociedade brasileira ao mesmo tempo que têm fornecido quadros profissionais qualificados que vêm atuando não somente no espaço universitário, mas também em instituições públicas federais, estaduais, municipais e em diversas organizações da sociedade civil. Neste sentido, a sociologia, ao lado da antropologia, ciência política e outras ciências humanas têm fornecido importantes contribuições intelectuais e sociais para o Brasil.
 
Vivemos tempos sombrios, impulsionados pela pandemia que no Brasil é agravada pelos efeitos perversos de um conjunto de ações conexas executadas pelo atual governo que atenta contra princípios elementares da democracia. Um conjunto de ações patrocinadas pelo atual governo que visam desconstruir direitos de minorias sociais, como indígenas, quilombolas, assim como procuram impor uma démarche contrária às liberdades individuais, à igualdade de gênero, à diversidade sexual, ao direito à saúde, à educação, à pluralidade de constituições familiares e à dignidade humana. Torna-se visível também sua atitude de intolerância à imprensa, à vida intelectual, às manifestações artísticas etc.  O contexto acadêmico tem sido também impactado não apenas pelos drásticos cortes orçamentários, mas, sobretudo, pela disposição governamental de hostilizar as universidades públicas, de cercear a liberdade de ensinar, pesquisar, acolhendo favoravelmente iniciativas inibidoras provenientes de segmentos de uma direita raivosa e violenta, que empreende uma sistemática guerra digital contra a cultura, manifestações artísticas e ao conhecimento científico. Estas derivas autoritárias e os empenhos sistemáticos em desqualificar a atividade das ciências humanas e particularmente da sociologia ameaçam a continuidade e o vigor do trabalho empreendido por várias gerações de pesquisadores brasileiros, abortando as chances de renovação do conhecimento.
 
Diante dessa situação, temos de resistir e continuar com o que sabemos fazer, temos de enfrentar o repúdio pela excelência do trabalho de pesquisa, pela disposição de defender o confronto de ideias, lutar por atitudes democráticas de diálogo e da persistência de um pensamento crítico. Creio que mais do que nunca devemos desenvolver um trabalho conjunto, envolvendo nossas associações – Anpocs, ABA, SBS, ABCP –, ao lado de SBPC, Academia Brasileira de Ciência e outras instituições da sociedade civil, e SBPC e a SBS na defesa da importância das universidades públicas, a relevância da ciência, da cultura, das artes e da livre circulação do pensamento e defesa de um Estado democrático.
 
No início dos anos 1900, em seu trabalho Sobre a Teoria das Ciências Sociais, Max Weber ressaltou que existem ciências possuidoras de eterna juventude na medida em que o fluxo contínuo das mudanças das sociedades gera incessantemente novos problemas de pesquisa que as desafiam de renovar suas explicações e de reinventar-se de forma infindável enquanto ciência.
 
A sociologia realizada no Brasil e em outras partes do mundo tem demonstrado a capacidade de superar as iniciativas de descrédito, hostilidade e perseguições aos seus praticantes levadas a cabo por regimes autoritários de diferentes matizes políticos. A história tem evidenciado que, por mais extensa que seja a duração de governos adversos ao funcionamento das instituições democráticas, avessos à autonomia da vida acadêmica e que cultivam um arraigado ódio à vida intelectual e à atividade da sociologia, sua existência é transitória e eles estão destinados a desvanecer. Pelo contrário, a trajetória da sociologia, ao ensejar a prática de analisar novos objetos que surgem na vida social, incluindo em sua agenda de pesquisa a análise dos regimes autoritários, tem assegurado para si o dom da eterna juventude.
 
Gostaria de finalizar, afirmando que minha trajetória universitária representou um esforço de realizar alvos institucionais e coletivos a partir de encargos assumidos nas atividades de ensino, pesquisa e de participação na comunidade acadêmica nacional. Tudo que venho fazendo na vida profissional ao longo dos anos, foi movido por sentimentos de entusiasmo, profunda dedicação e paixão e pautado por um compromisso com a transformação da sociedade brasileira a partir do meu trabalho acadêmico. Este Prêmio renova minhas energias para continuar lutando – junto com a comunidade acadêmica das ciências sociais – pela preservação das conquistas sociais e acadêmicas que conseguimos alcançar nas últimas décadas. Mais uma vez agradeço à Diretoria da Anpocs pela indicação de meu nome para receber este Prêmio tão significativo no campo da sociologia no Brasil. 
 

 

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