12/07/2019

FALECIMENTO FRANCISCO DE OLIVEIRA

Florianópolis, 10 de Julho de 2019
 
Foi com pesar que, na madrugada do primeiro dia de seu congresso bienal, a comunidade brasileira da sociologia recebeu a notícia do falecimento do professor Francisco de Oliveira.
 
Francisco de Oliveira graduou-se em Ciências Sociais na Universidade Federal de Pernambuco em 1956, então chamada de Universidade do Recife. Após passagens pelo Banco do Nordeste e pela Sudene, ingressou o Cebrap em 1970. Nesse período já havia deixado o Recife após o golpe de 1964, ocasião em que ficou preso por dois meses e vivido no México e na Guatemala.
 
Foi no Cebrap, porém, que Francisco de Oliveira viveu os anos mais produtivos de sua carreira acadêmica. São desses anos seus livros Questionando a economia brasileira (1975), A economia da dependência imperfeita (1977) e Elegia para uma re(li)gião: Sudene, Nordeste – Planejamento e conflito de classes (1977). Esses seus estudos sobre a sociedade brasileira e sua estrutura de classes indicam o caminho trilhado por Francisco em direção a uma crítica sociológica da economia brasileira. Esse caminho culminaria no clássico estudo, inicialmente publicado em 1981, como A economia brasileira: crítica da razão dualista. Esse clássico absoluto da sociologia política brasileira recebeu nova roupagem em 2003, retrabalhado e publicado como O ornitorrinco. O título, aliás, expressa a leveza, a sagacidade e a ironia que caracterizavam um autor profundamente crítico dos mais áridos objetos e, ao mesmo tempo, capaz de tratar desses temas oferecendo às leitoras e leitores uma prosa cheia de vida. Essas qualidades lhe valeram, por ocasião da concessão de seu título de Doutor por notório saber em Sociologia o epíteto elogioso de “mestre da dialética”.
 
Francisco de Oliveira foi também um destacado intelectual público, desde antes do golpe militar, mas também durante e após esse período de triste memória. Chico tornou-se uma das mais vigorosas vozes críticas da recém instaurada democracia política, sempre à esquerda, sempre consistente com sua trajetória de intelectual marxista interessada nas questões de classe e economia política.
 
Sua ausência será profundamente sentida no debate público brasileiro e especialmente entre a comunidade sociológica. Usemos esta ocasião, portanto, para lembrá-lo, mas também para celebrar sua vida e sua obra.
 
Carlos Benedito Martins
Presidente da Sociedade Brasileira de Sociologia

 

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